Murta Silvestre – Vitalizante e Curativa

Se caminhássemos mais pelas florestas, pelos bosques e pelos prados, talvez encontrássemos mais do nosso passado… e talvez encontrássemos a murta com mais frequência.
Arbusto autóctone, parte da nossa flora e da nossa infância, a murta produz flores brancas muito belas e extremamente atraentes para as abelhas.

Mas, mais importante ainda: produz excelentes folhas fitoterápicas, com propriedades terapêuticas muito interessantes, assim como pequenas bagas que, quando maduras, se tornam escuras, adstringentes e ligeiramente açucaradas.
É uma planta que embeleza os campos e que oferece mais vida, saúde e, quiçá, favorece a recuperação de uma saúde perdida.

Como quem me segue já sabe, dou um valor substancialmente superior aos frutos na alimentação humana.
Estou profundamente convencido de que, pelas suas propriedades e pela natureza humana, desempenham um papel central para a manutenção do melhor estado de energia possível: vitalidade, imunidade, flexibilidade, tônus de tecidos, evitando o envelhecimento e trazendo as melhores possibilidades para a reversão da doença crónica, o desaparecimento de sintomas e uma existência digna e com qualidade.

A par e passo com as frutas, algumas plantas medicinais figuram como verdadeiros auxílios para o ser humano.
Podemos simplesmente colher as suas folhas e mastigar.
Podemos fazer infusões suaves ou mais concentradas.
Eu, no meu pequeno jardim, gosto de colher estas folhas aromáticas, esfregá-las nas mãos e inalar profundamente os seus aromas delicados, purificadores, fragrantes e algo mágicos.
Depois mastigo algumas folhas — e sinto o meu corpo mais são, mais leve, mais feliz.

E estas são plantas que recomendo frequentemente aos meus pacientes na sua jornada para uma vida melhor.

Quando falamos da murta — Myrtus communis — falamos de uma planta verdadeiramente prendada no elemento terapêutico.

Os frutos podem ser consumidos crus quando maduros, e podem também servir de condimento.
Tanto frutos como folhas e sementes abundam em antioxidantes potentes — flavonoides, quercetina, miricetina, ácidos fenólicos e taninos.
São precisamente os taninos que protegem os vasos sanguíneos, oferecem efeito anti-inflamatório e modulam processos degenerativos.

A murta destaca-se como planta silvestre com propriedades únicas, primordiais e extremamente acessíveis.
Medicinalmente, é utilizada em gengivites (hoje quase toda a gente parece padecer de algo na boca…), infeções respiratórias, problemas de pele, diarreias e indigestões, graças ao seu efeito desinfetante e adstringente no trato gastrointestinal.

Possui ainda compostos aromáticos sedativos, relaxantes e que ajudam a eliminar espasmos.

As bagas contêm açúcares naturais (mais frutose que glucose), antocianinas que lhes conferem as cores azul-escuro e arroxeadas, vitaminas A, C e algumas do complexo B.
O fruto é tão doce como a romã ou a uva, mas com maior adstringência.

E os valores nutricionais são impressionantes:

  • 2 a 4 vezes mais vitamina C que o mirtilo, aproximando-se da laranja.

  • Quase tantas antocianinas como o mirtilo — e mais do que a uva.

  • Entre os frutos com mais taninos.

  • Em flavonoides gerais, está a par com a romã e o mirtilo — podendo quase ser considerada uma superfood.

Para quem teme a perda de cálcio:
as bagas de murta possuem 5 a 7 vezes mais cálcio que mirtilos e maçãs, favorecendo ossos fortes sem os inconvenientes dos lácteos.

O óleo essencial das folhas apresenta propriedades antimicrobianas, antivirais, anti-inflamatórias, antiespasmódicas e até broncodilatadoras leves.
Fantástico.

A natureza, de facto, oferece plantas extraordinárias, capazes de auxiliar profundamente o homem moderno — tão fraturado e tão distante do seu meio natural.

Estudos científicos in vitro demonstram ainda o poder anticancerígeno desta planta, induzindo apoptose das células tumorais, inibindo a proliferação e bloqueando a angiogénese.
Ou seja, um verdadeiro aliado contra o cancro.

No final deste artigo, deixo-te algumas perguntas:
Conhecias a murta? Já usaste? Já tiveste a sorte de vislumbrar as suas flores, saborear os seus frutos ou mastigar as suas folhas?
Partilha na secção de comentários — vou gostar de saber.

Aviso legal: nada neste artigo constitui recomendações ou tratamentos. O autor não se responsabiliza por usos decorrentes da informação aqui apresentada. Este conteúdo não substitui cuidados de saúde profissionais e tem finalidade exclusivamente intelectual e de entretenimento.

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